Nesse episódio ReineckenAlice de HolandaBárbara Figueira e Samuel Araujo falam um pouco sobre a CENSURA em produtos artísticos e conversam sobre o CASO MAIKON K, ocorrido em Brasília, pelo festival Palco Giratório (SESC/DF), no dia 15/07/2017.

A conversa é séria e visa problematizar sobre a CENSURA em produtos Artistícos. o que é Classificação Indicativa? Quando um espetáculo/filme/arte/ não deve ser visto por crianças? Qual a idade para ver determinadas coisas, OU MAIS: Que coisas são essas para essas idades?

PAUTA: 18:44 – Recado aos ouvintes assíduos! 

 

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Citados nesse episódio:

Reportagem sobre o caso: http://bit.ly/2xEWaBu

Sobre o Espetáculo: http://bit.ly/2iAhDcc

Sobre o Palhaço Chacovachi: http://bit.ly/2wKXmHi  & o Livro: http://bit.ly/2xFu5u9

La Convención Argentina: http://convencionargentina.com/wp/

Leitura do Texto: Brunão (Portal Refil)

Intervenção Urbana: Arte e Resistência no Espaço Público.

http://www.usp.br/celacc/?q=tcc_celacc/intervencao-urbana-arte-resistencia-espaco-publico

Sobre classificação indicativa – Ministério da Justiça: http://www.justica.gov.br/seus-direitos/classificacao

Se apresente no Museu Nacional: http://www.cultura.df.gov.br/nossa-cultura/museus/museu-nacional.html

Podcast Fronteiras da Ciência, Episódio sobre A CIDADE: http://frontdaciencia.blogspot.ca/2015/11/a-cidade.html

Texto (Resposta/Depoimento) do Maikon K, feito pelo facebook:

“Volto a escrever pra dizer como as coisas estão caminhando.
Agradeço essa rede de apoio que se formou, feita por vocês. Estou consciente de que, sem esse apoio, a violência que ocorreu não ecoaria. Tudo poderia estar abafado. Porque, na verdade, sozinho eu não teria força.
Estou tentando acompanhar as postagens, mas não consigo responder todas as mensagens que me chegam, talvez eu demore pra responder. O fato é que na performance DNA de DAN meu corpo está nu e solitário, mas viajo pelo Brasil com uma equipe de mais dois artistas que me acompanham, Faetusa Tezelli e Victor Sabbag. Eles é que seguraram a barra lá em Brasília comigo. E nós três decidimos juntos que a melhor maneira de encerrar esse ciclo, que se iniciou com a ação truculenta da polícia militar, é voltarmos a Brasília e realizarmos a performance até o fim no mesmo local. Para tirar esse gosto amargo de impunidade, de que fomos calados e destruídos pela cegueira de alguns. O governo pediu desculpas, mas em nenhum momento se referiu a que reparos serão feitos à obra e aos artistas envolvidos. A polícia militar mostrou-se despreparada e violenta para lidar com situações de arte pública, seja contendo nudez ou não. Por que eles insistem em resumir tudo a um ato obsceno? Eles não ouviram e não querem ouvir, eles só queriam nos submeter à sua lógica dura. E não cabe à polícia dizer o que é arte. Nem a mim, nem a ninguém. Mas cabe permitir que a manifestação aconteça. Caberia a eles terem esperado a explicação dos organizadores antes de se dirigirem à instalação e rasgarem a bolha para tentar me tirar à força lá de dentro. Eu estou exposto. E quem são eles? Uma instituição responde por eles, mas meu rosto está aqui. Tenho olhos e boca e estômago. Tenho um nome. Para os que estão dizendo que meu trabalho é lixo, talvez seja. Eu amo esse lixo com todo meu ser. Para os que dizem que não é arte, eu digo: o meu trabalho não é para vocês. Há todo um outro cardápio para seus paladares. Eu nunca entraria em suas bocas, nem para ser cuspido de volta. Ao contrário da polícia, eu não quero submetê-los ao meu mundo. Porque eu me exponho, mas a minha arte só se mostra para olhos abertos. O resto vê a superfície, o pau, a bunda, tudo que lhes assusta, tudo que lhes ameaça, tudo que simplesmente existe sem pedir desculpas. E mesmo que seja arte ruim o que eu faço, ela deve ter seu espaço garantido na frente de um museu ou em qualquer lugar. Mesmo que aquilo não agrade a todos. Eu não me coloco ali para agradar ou anestesiar consciências. Meu corpo nu, nesta performance, está despido dos seus conceitos, dos seus preconceitos, do que você acha ser bom ou ruim, despido de toda opressão imposta e que se instala em sua carne e fala através de suas palavras. O corpo está nu e em silêncio. Não há nada nele. Mas vocês projetam ali toda a repressão, todo o pânico, toda dureza que se alojou em vocês. A nudez é um espelho e vocês se veem sem se reconhecer. E essa imagem refletida lhes causa mal estar. Por que cobrir meu corpo com uma roupa lhes traria tranquilidade? Esse trabalho inicialmente não tem a intenção de confrontar poderes, mas se deixa atravessar por eles. Porque o corpo é o alvo da igreja, da política, da polícia, das leis, da moralidade. O corpo autônomo deve ser combatido, dominado e adestrado. O corpo deve se tornar um ventríloquo do ódio. Me vejo agora no meio de uma arena de vários interesses, que extravasam essa obra: polícia, imprensa, governo, internet, interesses coletivos e os meus interesses pessoais. Como não ser a marionete e saber o real objetivo? Eu busco no meio disso tudo a dignidade daquilo em que acredito: a arte. A arte sem definição, a arte que embaralha. Eu não quero que essa obra sirva de pivô ou bode expiatório de toda ignorância. Eu protegerei meu trabalho. E o jeito como eu o protejo é esse: colocando-o de volta naquele lugar, em frente ao Museu Nacional da República. Eu, e os artistas que estão comigo, iremos voltar. No momento, nosso esforço é para isso. Estamos nos articulando. Essa será a resposta: terminar o que se iniciou às 17h do dia 15 de julho de 2017. Sem mudar nada. Porque a arte não deve se dobrar, a arte rebola. E é com prazer e alegria e dor e amor. É com a força de nossos corações e na luz da nossa loucura. A arte é isso, meus senhores e senhoras, um caldeirão que aceita tudo e de tudo faz seu banquete. Estou comendo cada pedaço, e sentindo e nauseando e digerindo. No momento estou tentando não cair em algumas armadilhas: projeções positivas ou negativas sobre minha obra e minha pessoa, o assédio da imprensa com seus interesses fugazes, tentar ser porta-voz de algo. Não sou um mártir, talvez eu seja uma piada. Porque tudo isso vai passar e continuarei a ser um artista independente brasileiro. E não sei ainda se toda essa repercussão será positiva ou negativa, tanto para a arte brasileira em geral quanto para mim. Minha arte nunca foi para grandes plateias, cabem 40 pessoas dentro daquela bolha. Mesmo sendo artista, tenho aversão a multidões, palavras de ordem, ideologias gritadas. É assim que eu sou. Mas estamos no mesmo barco e estou tentando que essa situação seja boa para as pessoas que me apoiam, que a arte avance e não recue, mesmo que agora a tentativa seja desmontá-la. Há no momento um desmonte de tudo que pensávamos ser nossas bases. A cultura morre nos gabinetes, mas fervilha naqueles que a fazem. Algo novo se levanta. Querem que os artistas sejam desmoralizados, sucateados, humilhados, mas não deixaremos. Já passamos por isso e muitos outros antes de nós. Neste caso, o embate espetaculoso que se arma ao meu redor acontece entre a expressão artística e a segurança pública. Com as instituições desmoronando e a arte tendo que se posicionar para não ser sufocada, a segurança é o modo mais canhestro de justificar arbitrariedades e calar, pois se funda no medo que se alastrou pelo país, em palavras vagas e assustadoras como moralidade, em nome da família e do recato. E a arte deve ser acusada de agente da desordem, da vagabundagem, da falta de moral, do escândalo gratuito, da inutilidade. Para acabar com a arte, usou-se a violência. A polícia decidiu naquele momento o que era arte, me transformando em alvo perigoso, ameaçador, obsceno. Saibam que, seu eu pudesse escolher, não estaria no meio dessa peleja. Eu faço minha arte há mais de 18 anos, e o pouco que conquistei pode cair por terra. Mas eu não vou deixar. E não se enganem: nesse momento o que está repercutindo não é o meu trabalho, mas a violência que eu sofri ao tentar apresentá-lo. E isso me constrange. Mas eu não vou paralisar. E a polícia não poderá me impedir, porque a minha liberdade de expressão e de outros artistas deve ter espaço no lugar que for necessário, do jeito que nós quisermos, do jeito que a arte quiser. Não posso permitir esse precedente sombrio de uma censura violenta e mal orquestrada, de um pré-julgamento torpe. Porque há e haverá outros artistas com trabalhos incríveis, necessários e poderosos. E talvez eles precisem estar nus ali, para dizerem o que é preciso. E se eles não puderem fazer isso, o Brasil vai perder com isso, todos perderemos. Eu peço a ajuda de vocês para irmos até o fim. Porque o que aconteceu comigo não vai ser apagado e mesmo assim eu terei que continuar. Pra que policiais pensem antes de destruir qualquer trabalho de arte que esteja na rua, mesmo que eles não estejam de acordo com o seu conteúdo. Não cabe a eles decidir, cabe a eles respeitar. Termino esse texto estendendo minha fala aos artistas da Casa Selvática, em Curitiba, que também sofreram arbitrariedade por parte da polícia em Curitiba, no dia 14 de julho de 2017. Estamos juntos.”

Ficha Técnica desse episódio:

Pauta: Bárbara Figueira, Produção Geral – Praticável Produções (Georgia Rafaela); Ass. de produção – Ana Paula Martins; Edição do programa – Reinecken; Gravação & Técnica: @PortalRefil.

As Músicas nesse episódios foram compostas e gravadas por: Beto Ramos, Reinecken, BC Araujo, Daniel Pitanga,

e um abraço especial ao Pedro Miranda (Aengrenagem) pela parceria com nossa versão de “JUVENAR”. Uma pequena homenagem ao Karnak, no disco: “Estamos adorando Tókio”.

Música tema do TdM: (Zypherum, da Banda Zoe). BC Araujo (Guitarras, Violões e Viola); Beto Ramos (Pianos e Teclados); Pedro Miranda (Contra-Baixo acústico); Hélio Miranda (Bateria). Gravado no Estúdio da E.T.C.A. por Reinecken e Miranda, Abril 2013, especialmente para a E.T.C.A. e o Documentário de LIBRAS PARA ARTE.

Designer Gráfico e Vitrine do TdM: Daniel Obregon

Técnica do TdM: Portal Refil

Edição do TdM: Reinecken

Produção Executiva: Georgia Rafaela / Praticável Produção

Coordenação Geral TdM: Reinecken

TdM é apresentado pelo FAC – Fundo de Apoio à Cultura/Secult-DF, e tem o APOIO dos Dragões de Garagem e do Ministério da Cultura.

 

 

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